
Ah, como é bom ficar em casa sozinho… Fazer o que der vontade, comer besteira, andar pelado sem se preocupar quem estará na sala ao passar por lá.
O curioso é que este final de semana está com uma aparência diferente, ou não, ainda é incerto.
Desde sexta, quando meus pais viajaram, tive vários déjà vu, é estranho, me incomoda, mas depois lembro de um amigo que sempre me diz: “ relaxa piá”.
O dia inteiro eu só fiz bagunça na casa, tirei quase tudo do lugar, bebi vinho na piscina, comi sanduíches gordurosos no almoço e passei boa parte no telefone convidando a turma para o que um adolescente mais estima quando não esta com os pais por perto: Fazer uma festa… Daquelas de varar a noite, regados a muita cerveja, tequila, vinho, cuba libre…
Minha inexperiência é tanta que verifiquei o estoque de bebidas mas esqueci da comida.
A geladeira quase vazia, ou melhor, sem nada de prático a ser feito. Na dispensa então era pior, parecia mesmo que minha mãe adivinhara os meus anseios e extinguiu qualquer enlatado ou embutido. O desespero batia na minha porta. Meu dinheiro era pouco, daria pra quase nada.
Eis que avisto o freezer… “ uma carninha grelhada faz bem, e não dá tanto trabalho” – pensei.
Fui lentamente até ela, e novamente parecia que já havia passado por isso. Eu nunca tive a curiosidade de abrir aquela porta metálica no meio da cozinha. Não preparava as refeições. Parei de pensar.
Abri a porta e puxei uma das gavetas. Três grandes embrulhos congelados estavam à espera para virar um delicioso petisco. Retirei e os coloquei na mesa de granito para o degelo.
Uma hora mais tarde fui retirar os plásticos em volta, e a minha surpresa: três bebês mortos ( óbvio que vivos não poderiam estar). Eu ia gritar, correr,chorar, vomitar. No fim, peguei o telefone, e pedi pizza.
Por ** Heitor Alexandre Trevisani Lipinski **
